Free mim

vontades loca na cultura

gente, que lugar é aquele, hein?

fui pela primeira vez com o meu pai e, antes de chegarmos, ele já ilustrava pra mim o quão legal era, porque tinha pessoas diferentonas e que se pareciam comigo (na linguagem dele: muito bicho-grilo). aliás, sei que não é o foco do post mas preciso dizer que amo quando meu pai me leva para conhecer algum lugar. amo como ele segura a alça da mochila num ombro só e fica pacientemente me esperando olhar tudo, com um sorrisinho satisfeito no rosto ao ver que eu estou encantada. aconteceu assim também na livraria cultura do conjunto nacional.

depois do nosso primeiro encontro, houve alguns outros. na maioria deles, eu estava sozinha por motivos de quase ninguém aguenta ficar 3 horas na livraria olhando lombadas. mas posso estar acompanhada por outra pessoa ou só pela minha respiração que o sentimento é o mesmo enquanto corro os olhos pelas estantes: eu poderia ter outra vida.

ser vendedora na livraria cultura. passar o dia de óculos e all star. dar informações sobre vários livros, dar e receber indicações, ver pessoas. pessoas com mesmos interesses. depois de um dia tão literário, ir embora descansar no meu apê alugado não muito longe dali. apê pequeno, mas limpinho, e talvez até com um gato.

assistir netflix ou sair pra comer com amigos. ler o quanto eu pudesse nos intervalos. ter pisca pisca decorando meu quarto, e passar a maior parte da noite com a luz apagada. camiseta de banda. camiseta.

aí eu pago a conta e vou embora. de volta pro escritório.

entrar na cultura dá umas vontade loca, né?

Free mim · Miscelânea

Aquela parte que deixamos de ser nós mesmos pra poder nos encaixar

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Estou numa profissão de negócios.

Isso quer dizer que trabalhamos com pessoas estressadas, vestidas formalmente, que falam gritando ao telefone e morrem infartadas ou de úlcera.

Estamos falando de ambientes sérios. Apertos de mão fortes e cartões de visita que passam de mão em mão. Estamos falando de saltos altos e finos, bolsas caras e gravatas cafonas. Eu, pelo menos, não gosto.

Nunca gostei de roupa social. Tenho amigas que não podem ver um homem com uma calça dessas. Nunca liguei. Nunca me identifiquei com esse universo que descrevi acima, e que vocês devem saber bem sobre o que estou falando.

São oito horas de trabalho por dia. Se contarmos o tempo que levamos para ir e voltar, somam 11 (ou 12). Metade no nosso dia estamos vivendo uma vida que não nos identificamos completamente. Estou falando de “nós” porque tenho certeza (e a esperança) que tenha alguém nesse mundo que pense como eu a respeito disso.

Eu gosto de cabelo colorido. Cabelo rosa. Cabelo roxo. Não é adequado à minha profissão, pois não passa a credibilidade que precisamos.

Eu gosto de unhas coloridas. Gosto de amarelo nas unhas. Gosto de glitter. Também não me parece muito apropriado cumprimentar o diretor da empresa e deixá-lo perceber a holografia nas pontas dos meus dedos.

Eu não gosto dessa calça social que estou vestindo. Não combina comigo mas não posso fugir muito desse padrão. Também tenho preguiça de pensar em outra roupa então essa me atende bastante.

Eu gosto de batom vermelho. Ou roxo. Pink vai bem, também. Mas só as finais de semana. Aproveita, menina!

Eu quero fazer uma tatuagem no braço. Humm… escolhe outro lugar que não fique visível, ao menos não com uma roupa de trabalhar.

Não estou falando da empresa que estou trabalhando. Porque essa regra invisível que ninguém ditou mas é a correta acontece em qualquer lugar. Se eu trabalhar em 100 empresas desse ramo, encontrarei uma centena de CTRL+C e CTRL+V. Não dá pra escapar.

Fico pensando no quê eu deveria trabalhar para poder ser eu mesma 24 horas por dia. Claro que eu entendo que um ambiente de trabalho, seja ele em qual área for, vai demandar mais profissionalismo. Não vou poder me portar ou me vestir como quando estou em casa sem nada pra fazer, vendo vídeos no youtube. Tenho consciência disso. Também tenho consciência de que uma pessoa pode ser profissional tendo o cabelo rosa and this is beautiful.

Se eu trabalhasse na finada (ou quase) MTV, poderia ter o cabelo roxo. Poderia usar glitter nas unhas e trabalhar de tênis. Ao mesmo tempo ser brilhante no trabalho que desempenho, extremamente competente.

Se eu fizesse parte de alguma revista de moda, por exemplo, certamente meus lábios vermelhos seriam permitidos às 9h da manhã. Sem perigo de alguém me olhar torto! :O

Uma vez que a capacidade profissional de alguém não está ligada à pessoa ter dreads ou não, fico pensando em qual momento decidimos que “pra fazer contas você precisa pentear esse cabelo e se vestir ‘adequadamente'”. Gente, que diferença faz? Sinceramente?

Sei que parece um ponto até infantil e rebelde de se abordar num texto de um blog pessoal. Talvez fosse mais apropriado se eu tivesse uns 14 anos. hahahah mas infelizmente são pensamentos que, vira e mexe, estão na minha cabeça de novo. Sei que talvez isso nunca mude, nunca será permitido trabalhar num banco com o cabelo degradê, ou com uma barba gigantesca. Mas fica aqui o meu ponto de vista, qualquer coisa.

Nunca se sabe, né?

Free mim

Albus Dumbledore, everyone

Pensei nesse título do post como um daqueles programas de entrevistas em que o apresentador chama o entrevistado “ele fez os filmes tal e tal, é pai de dois filhos e resolveu morar na Tailândia! Zé dos Reis, everyone!”. Não chamo o Dumbledore de Albus, só quis impactar o título, mesmo. 😀

Eu comprei um Funko! \õ/

Acho que vi pelo facebook, há algumas semanas, que a Funko iria lançar uma linha de Harry Potter. Meus olhinhos brilharam porque é muito legal você ver que mesmo depois de tanto tempo do lançamento dos últimos filme e livro, a saga ainda tem um brilho, ainda tem importância, ainda tem peso. Fiquei até emocionada! ♥

Olhando os bonequinhos pelas fotos, tive algumas impressões: a) o trio não me chamou tanta atenção quanto os outros, b) amei a delicadeza de fazerem o Hagrid maior que o tamanho padrão, achei genial c) MUITO legal fazerem o Voldemort e o Snape, mostra que HP não é só o trio e d) AI MEU DEUS QUERO O DUMBLEDORE

Albus e a Pedra Filosofal
Albus guardando os livros

Gente, o Dumbledore. Quando o vi, me apaixonei. Não gosto muito das vestes cinzas que colocaram nele nos filmes, sempre imaginei um Dumbledore vestido exatamente como na primeira cena da Pedra Filosofal. Roupas de bruxo mesmo, tudo colorido, estampado, extravagante. Me parece que, no Funko, a roupinha dele é bem parecida com esta, também de PF:

Sempre achei os bonequinhos Funko bem caros, por isso nem tinha esperança de que compraria um, quem dirá todos. Vi vários posts em blogs lindos que acompanho, mas quando vi no Serendipity que teria cupom de desconto, corri pra loja Geek Wish pra dar uma olhada. Realmente, como eu havia pensado, pra minha $ituação é praticamente impossível comprar os sete. Fiquei olhando o Dumbledore e quando vi já estava adicionado no meu carrinho, com frete calculado e tudo mais. HAHAHAH acho importante dizer que vi lojas online que cobravam o dobro por cada Funko.

Dumbledore está claramente em cima de uma pilha de livros, em cima do meu travesseiro, em cima da minha cama

 

Pedi num dia, no outro estava a caixinha em casa, com meu Dumbledore perfeitamente embaladinho. Se não me engano paguei R$ 88,00, e achei muito justo. Ele é muito apaixonante e agora entendo as pessoas que colecionam Funkos.

Albus sabe o que você fez no verão passado
Albus entrosado

 

Free mim

É possível se apaixonar por filmes

Ou: queria viver em Once.

Já tem algum tempo que eu venho gostando de vasculhar a categoria “Independentes” da Netflix.

Eu sempre ouvi falar sobre os tais filmes independentes mas nunca tive curiosidade de pesquisar/assistir. Tinha uma ideia vaga de que são filmes rodados com pouca grana e por isso tinham “cenários” menos elaborados e atores, em sua maioria, desconhecidos. Não sei explicar como nem porque, mas o bichinho dos independentes me picou e picou feio. hahahah

O primeiro que eu tive o prazer em assistir foi Daydream Nation. O pôster me chamou a atenção por ser todo verde e com uma moça segurando uma bicicleta. Era pra lá de quatro da manhã e eu estava maravilhada com aquele filme. Não só o enredo em si me cativou como também a sensibilidade que jorra dele. Como alguém consegue ser tão humano a ponto de conseguir gravar a vida real? Porque é esse o meu resumo para filmes independentes: são a própria vida real.

Em “vida real” eu incluo as mais diversas emoções que passamos: temos raiva das pessoas, ficamos confusos, rimos de algo simples. Cenas de sexo. Diálogos sinceros e reais. Coisas ruins acontecendo – não necessariamente por ser um filme a mocinha tem que terminar com o mocinho. A vida é difícil, nada é exatamente como a gente quer e coisas dão errado pra todo mundo o tempo todo. Eu sinto como se nada retratasse melhor o dia-a-dia do que um filme independente.

Daydream Nation – Corre que tem na Netflix!

Na quarta-feira passada eu não tive aula na faculdade e minha família estranhou quando fui pro quarto às 21h. “Vou ver um filme” eu disse quando minha mãe estava tentando me convencer a ficar na sala porque ia começar o Masterchef (que eu também adoro, por sinal). Eu simplesmente precisava de mais uma dose de ternura que essa fatia do cinema traz pra mim. Escolhi Begin Again (vi pelo megafilmes), só pelo Mark Ruffalo e porque várias pessoas estavam falando bem na internet. Resultado: não é um filme independente mas tem o mesmo jeitinho… apaixonada pra sempre. ♥Eu me senti tão bem depois de conhecer algo que me fizesse tão feliz em tanto tempo, que assistir a esses filmes está sendo como recompensa pra mim. Se meu dia foi bosta muito ruim, ou se estou muito cansada, ou apenas quero um tempinho pra mim – sempre fico mentalizando que vou escolher mais um título na Netflix e vou ficar feliz 😀

Amei tudo, inclusive e principalmente a Keira Knightley. Confesso que tinha uma certa relutância de ver esse título porque sempre achei que ela tem cara de fresca e parece que nunca está respirando, mas MEU DEUS. Eu amei a personagem que ela interpreta, tão leve, simples… já queria ser amiga. ❤ Begin Again também é a vida real dando um tapa na minha cara.

 

Begin Again (Mesmo se nada der certo): simplicidade e genialidade dessas cenas… impressionante.

 

Mas Once (que foi traduzido como Apenas uma Vez) não é assim. Tem voz, violão e piano. Depois, uma banda. A característica de musical é tão sutil que a história se desenrola junto com a música, sem aquelas divisões drásticas do tipo: “agora é hora da dança”, “agora é hora das falas”, “agora é o grito de guerra”. O personagem principal é cantor e, mesmo quando cantando, ficamos prestando atenção na cena, porque tudo é importante e faz parte da história: como ele gesticula, as feições dele, pra onde ele olha… o “enredo” e a “parte musical” se entrelaçam perfeitamente…Anteontem (ou antes de ontem?) eu assisti Once. Sinto que minha vida mudou a partir daí. hahahaha

Sinceramente, ele é o filme que mais tocou o meu coração até hoje. Li que ele é um musical, o que estranhei de bate-pronto, porque a minha concepção de “musicais” é na vibe do High School Musical: as pessoas estão conversando sobre hambúrguer quando, de repente, já tem uma galera dançando atrás, cantando a plenos pulmões pra pôr mais catchup.

A história se passa em Dublin, que é o lugar que eu mais quero conhecer NA VIDA nesse momento. hahahah que cidade linda! Uma das minhas cenas preferidas é quando a garota (os personagens principais não tem nome) vai de madrugada suponho eu até uma lojinha para comprar pilhas pro seu CD player, e volta andando na rua como se fosse rua de interior. Ela está de pijamas, fones de ouvido e anda cantarolando… que maravilha de se ver, estou apaixonada.

Once: essa cena é o coração do filme, na minha opinião.

 

Queria terminar esse post dizendo algumas coisas:

a) Adoro o fato de que eu vejo filmes que ninguém vê, que tem trilhas sonoras que ninguém escuta, com atores que ninguém conhece;
b) Como me sinto bem assistindo filmes que retratam a vida como ela é, e não como gostaríamos que fosse;
c) Glen Hansard, se você estiver lendo isso, por favor nunca tire sua barba nem pare de cantar;
d) Quero morar em Dublin.