Anteriormente, em 'Anatomia da Grey'

fevereiro

foi um mês difícil. quase impossível de passar. todos os dias tive a sensação de estar nascendo de novo (no sentido mais literal que isso pode ter), passando por um lugar muito apertado, incômodo, escuro, meio sem entender o que era pra fazer, apenas indo. seguindo o fluxo. o choro do final dessa aventura pode ser mantido por motivos de realidade.

eu senti muita dor, muita preocupação, e meu coração acelerou mais vezes do que em toda a minha vida. eu suei muito. eu aprendi a respirar profundamente e enchendo a barriga, como um bebê. eu não conseguia chorar. eu conseguia. não conseguia parar. parava. minhas mãos estavam frias. o que está acontecendo comigo? será que estou perdendo o controle?

muitas vezes eu me perguntei se, quando as pessoas enlouquecem, elas se dão conta de que estão enlouquecendo. se passam a sentir falta de quem eram e, principalmente, se estão percebendo que muitas coisas que nunca aconteceram antes estão acontecendo agora. eu tentava me lembrar como a pessoa que eu costumava ser iria se portar diante desta situação, mas me parecia que jamais fui essa pessoa.

eu não fiquei com medo de estar enlouquecendo. achei até poético. nunca achei que eu iria ter algum problema psicológico. aliás, eles existem? acho que existem. existem sim, olha o que estou sentindo. não existem não, vai ficar tudo bem, é só um dia ruim. isso já não deveria ter passado?

em fevereiro eu tive que conviver com um eu que não conhecia, que nunca havia sido apresentada. coisas aconteceram. eu não soube lidar. ou lidei, apenas esperando as horas se arrastarem para que eu pudesse dormir.

eu tive tanto medo. acho que ainda tenho. eu tive medo o tempo todo. quis fugir, me esconder. não quis falar com ninguém. queria ficar deitada na minha cama sentindo meu cachorro dormindo no “v” que minhas pernas formam quando estou nesta posição.

eu tive bastante medo. acho que ainda tenho.

mas agora já é março.

Anteriormente, em 'Anatomia da Grey'

Travada

Esse é um ótimo texto para inaugurar essa categoria, diga-se de passagem.
Ao visto, as pessoas gostam mesmo de dar suas opiniões sobre o jeito como eu me comporto. Vamos a isto.

Há algumas semanas, convivi mais de perto com uma pessoa que faz parte do meu dia-a-dia. É alguém que me conhece há certo tempo e que, sempre que tem oportunidade, gosta de dar pitaco sobre quem eu sou, como vivo – e, pasmem -, o que tenho que mudar.

Foram dias cansativos pra mim. Tive que lidar com esse sentimento de wtf, man o tempo inteiro, o que realmente me deixa irritada. Manter a pose em lugares que não me sinto à vontade também entrou na minha listinha de que droga é essa, gente, socorro.

Uma vez eu li na internê que o segredo da paz mundial é cada um cuidar da sua vida, e isso nunca fez tanto sentido pra mim. Num é que é, mesmo? O que leva, amigos, uma pessoa que não tem a menor intimidade com você querer ditar como você deveria ser? Como essa pessoa se sente no direito (quem deu essa liberdade?) de dizer que você é travada demais, e isso não pode acontecer? É realmente muito chocante.

“Você tem que se soltar mais”, “Falar mais”, “Sair mais à noite” (…)

Eu não sou assim.

Eu já tenho o meu jeito e não há nada de errado com ele.

Quando comecei esse texto, muito provavelmente quando aquela semana acabou, eu estava cheia de raiva. Queria escrever vários palavrões sobre como AI MEU DEUS ESTOU PUTA DA VIDA. Hoje, quando resgatei esse post do rascunho, apenas quero usá-lo como aval. Se alguém está lendo esse texto e porventura passando por essa mesma situação, eu digo: não há nada de errado em você falar pouco. Não há nada de errado em não dar risada alto, fingir simpatia, arquitetar alguém que você não é, apenas para que olhem para você e te classifiquem como ‘normal’. Este é um empurrãozinho para você continuar sendo quem você quer ser.

Porém, se você é o tipo de pessoa que fica falando “ai, você não é muito sociável, né? você é muito tímida, tem que parar com isso”, temos um recado pra você, também:

VÁ SE FODER.

“Better to have lost and loved than never to have loved at all.” | 11 Ways To Explain Your Love-Hate Relationship With Spicy Foods
Desculpem o palavreado. Mas não há nada que substitua.