Free mim · Miscelânea

Aquela parte que deixamos de ser nós mesmos pra poder nos encaixar

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Estou numa profissão de negócios.

Isso quer dizer que trabalhamos com pessoas estressadas, vestidas formalmente, que falam gritando ao telefone e morrem infartadas ou de úlcera.

Estamos falando de ambientes sérios. Apertos de mão fortes e cartões de visita que passam de mão em mão. Estamos falando de saltos altos e finos, bolsas caras e gravatas cafonas. Eu, pelo menos, não gosto.

Nunca gostei de roupa social. Tenho amigas que não podem ver um homem com uma calça dessas. Nunca liguei. Nunca me identifiquei com esse universo que descrevi acima, e que vocês devem saber bem sobre o que estou falando.

São oito horas de trabalho por dia. Se contarmos o tempo que levamos para ir e voltar, somam 11 (ou 12). Metade no nosso dia estamos vivendo uma vida que não nos identificamos completamente. Estou falando de “nós” porque tenho certeza (e a esperança) que tenha alguém nesse mundo que pense como eu a respeito disso.

Eu gosto de cabelo colorido. Cabelo rosa. Cabelo roxo. Não é adequado à minha profissão, pois não passa a credibilidade que precisamos.

Eu gosto de unhas coloridas. Gosto de amarelo nas unhas. Gosto de glitter. Também não me parece muito apropriado cumprimentar o diretor da empresa e deixá-lo perceber a holografia nas pontas dos meus dedos.

Eu não gosto dessa calça social que estou vestindo. Não combina comigo mas não posso fugir muito desse padrão. Também tenho preguiça de pensar em outra roupa então essa me atende bastante.

Eu gosto de batom vermelho. Ou roxo. Pink vai bem, também. Mas só as finais de semana. Aproveita, menina!

Eu quero fazer uma tatuagem no braço. Humm… escolhe outro lugar que não fique visível, ao menos não com uma roupa de trabalhar.

Não estou falando da empresa que estou trabalhando. Porque essa regra invisível que ninguém ditou mas é a correta acontece em qualquer lugar. Se eu trabalhar em 100 empresas desse ramo, encontrarei uma centena de CTRL+C e CTRL+V. Não dá pra escapar.

Fico pensando no quê eu deveria trabalhar para poder ser eu mesma 24 horas por dia. Claro que eu entendo que um ambiente de trabalho, seja ele em qual área for, vai demandar mais profissionalismo. Não vou poder me portar ou me vestir como quando estou em casa sem nada pra fazer, vendo vídeos no youtube. Tenho consciência disso. Também tenho consciência de que uma pessoa pode ser profissional tendo o cabelo rosa and this is beautiful.

Se eu trabalhasse na finada (ou quase) MTV, poderia ter o cabelo roxo. Poderia usar glitter nas unhas e trabalhar de tênis. Ao mesmo tempo ser brilhante no trabalho que desempenho, extremamente competente.

Se eu fizesse parte de alguma revista de moda, por exemplo, certamente meus lábios vermelhos seriam permitidos às 9h da manhã. Sem perigo de alguém me olhar torto! :O

Uma vez que a capacidade profissional de alguém não está ligada à pessoa ter dreads ou não, fico pensando em qual momento decidimos que “pra fazer contas você precisa pentear esse cabelo e se vestir ‘adequadamente'”. Gente, que diferença faz? Sinceramente?

Sei que parece um ponto até infantil e rebelde de se abordar num texto de um blog pessoal. Talvez fosse mais apropriado se eu tivesse uns 14 anos. hahahah mas infelizmente são pensamentos que, vira e mexe, estão na minha cabeça de novo. Sei que talvez isso nunca mude, nunca será permitido trabalhar num banco com o cabelo degradê, ou com uma barba gigantesca. Mas fica aqui o meu ponto de vista, qualquer coisa.

Nunca se sabe, né?

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