Miscelânea

Lembrete para a posteridade: não saia de casa no Dia das Crianças…

… porque, se algo pode dar errado, dará.

Este não é um post sobre a Lady Murphy, essa senhora de idade avançada, rabugenta e pessimista que nos acompanha nas horas mais difíceis. Esse é um post sobre como me estressei num feriado, perdi meu tempo e suei igual uma vaca gorda.

Há alguns meses estava eu perambulando pelo quiosque da Saraiva que tem no maior shopping de Osasco e visualizei um título que me chamou muito a atenção: Perdido em Marte. Esta menina, senhores, que quando tinha TV a cabo gostava muito de assistir aos programas do History e do Nat Geo que falavam sobre o espaço, nebulosas e Big Bang, neste momento deu pulinhos de alegria ao ver que alguém nesse mundo teve a brilhante ideia de escrever um livro com uma temática tão peculiar. Enquanto eu lia a sinopse, ficava cada vez mais perto do meu eu de 13 anos de idade que queria prestar Astronomia na USP e trabalhar na NASA (só queria deixar registrado, também para a posteridade, que NASA foi a primeira sigla em inglês que eu decorei, e me sinto orgulhosa de saber até hoje).

Pois bem. Alguns meses depois, agora perambulando pelo facebook, eis que vejo um pôster de um filme, com a cara do Matt Damon, com os dizeres “Tragam-no para Casa” e, bem pequenininho no rodapé estava escrito Perdido em Marte. AH MEU DEUS, EU NÃO ACREDITO., QUE SHOW DE BOLA! O MATT DAMON É PERFEITO PARA O PAPEL, VOU ASSISTIR. Ou não.

O lançamento do filme foi há duas semanas, e entre estudar pra prova, trabalho pra entregar, não tenho nem um puto acabou que não assisti ao filme. Mas me agarrei no feriado do dia das crianças e pensei: “vou sozinha, mas vou”.

Acordei cedo, determinada. Tinha uma sessão às 12h30 e outra às 15h30. Logo comecei a ajudar o meu pai com a louça, lavei o paninho de Dibas, arrumei meu quarto e já eram 11 e pouco. Ou seja, perdi a primeira sessão. “Pego a das 15”, pensei. Almocei, fiz mais algumas coisinhas e me vesti. 13:45h estava saindo de casa, “vou bem cedo porque não passa ônibus no feriado”. A primeira vez que olhei as horas quando cheguei no ponto eram 14h. Passou charrete, barco à velas, submarino e nada de ônibus. Nenhum. Nem pra Pindamonhangaba. Opa, passou um… Alphaville. Opa, olha outro… Lapa. Tentei até um que estava com o letreiro apagado: “Tá reservado, moça”.

O bendito foi passar às 14:40h. Até que não tenho o que reclamar do trajeto, que foi bem rápido já que não tinha muita gente nos pontos (na verdade acho que todo mundo morreu torrado/de sede esperando os ônibus, o que não deixa de ser uma seleção natural). Cruzei aquele shopping rápido como nunca, e exatamente às 15:06h eu estava na porta do cinema com exatamente essa expressão:

Que fila é essa pra fora do cinema?

Sabe por que não posso assistir a um filme às 18:40h, amiguinhos? Porque moro num lugar que tem um toque de recolher subentendido, onde você pode levar um tiro na testa por estar no lugar errado, na hora errada. Porque não há uma alma viva que se prontifique a me buscar quando acabar o filme, e aí já começo a me conformar que a minha realidade é essa, mesmo. Não posso voltar pra casa depois que escurece, é uma regra. Só posso ir ao cinema até as três da tarde.Quando eu consegui visualizar as tevezinhas que mostram os horários das sessões, vi 15h30 com um risco enorme em cima, o que entendi que os ingressos já tinham sido esgotados, e um 18:40h bem grande indicando a próxima sessão.

Só então fui perceber o mar de crianças que estavam naquele shopping. Bebês no colo, no carrinho, maiorzinho se jogando no chão, outros apanhando das mães. Outros olhando tudo como se nunca tivessem saído de casa. Meu. Deus. Quanta. Criança.

“Não vou perder a viagem. Antes de ir embora vou tomar um sorvete aqui do Bob’s” e fiquei na fila de umas 30 pessoas ATÉ FALTAREM DUAS PESSOAS PRA CHEGAR A MINHA VEZ E A QUERIDA ATENDENTE INFORMAR QUE SÓ TEM SHAKE, SENHORA. Jesus, me leva.

Antes de sair do shopping tem um outro quiosque, do McDonalds. E lá vai Larissa pegar fila, agora era questão de honra. Fui olhando e percebendo que todo mundo estava casualmente pedindo sorvete com a massa de chocolate – a qual eu não suporto, digace di paçagi. Chegou a minha vez e perguntei: Moço, tem massa de creme? SÓ TEM DE CHOCOLATE, SENHORA. ME DÁ UM COLOSSO COM COBERTURA DE CARAMELO E NÃO SE FALA MAIS NISSO.

Paguei com 50 reais e fiquei torcendo pra mais uma coisa dar errado: ele não ter troco.
Depois, quando ele me deu o troco percebi que estava sendo muito inocente de achar que ele não teria, afinal toda a torcida do Flamengo estava naquela fila, não é possível que ele não tivesse.

Fui pra casa, migos, com muito menos raiva do que achei que ficaria. Estou chateada SIM por não ter visto o filme, afinal sou dessas que tem ciúme de quem gosta de algum filme sem ter lido o livro. Duvido que todo mundo que lotou a sessão das 15h30 leu o livro. Muitos anos de terapia terão de vir pra que eu possa me desvencilhar desse pensamento infantil, mas enquanto não estou nesse nível de evolução continuo tendo ciúmes dos filmes que lançaram baseados nos livros QUE EU LI ANTES DE QUALQUER PESSOA SENTIR O MENOR INTERESSE NISSO DE MARTE. CARAMBA.

Como prometido, esse não é um post sobre nossa amável senhora Lady Murphy.

Mas, não sei o motivo, quando comecei a esperar o ônibus por mais de 20 minutos, sabia que o dia iria me resultar num texto pro blog. Cá estamos.

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