Free mim

É possível se apaixonar por filmes

Ou: queria viver em Once.

Já tem algum tempo que eu venho gostando de vasculhar a categoria “Independentes” da Netflix.

Eu sempre ouvi falar sobre os tais filmes independentes mas nunca tive curiosidade de pesquisar/assistir. Tinha uma ideia vaga de que são filmes rodados com pouca grana e por isso tinham “cenários” menos elaborados e atores, em sua maioria, desconhecidos. Não sei explicar como nem porque, mas o bichinho dos independentes me picou e picou feio. hahahah

O primeiro que eu tive o prazer em assistir foi Daydream Nation. O pôster me chamou a atenção por ser todo verde e com uma moça segurando uma bicicleta. Era pra lá de quatro da manhã e eu estava maravilhada com aquele filme. Não só o enredo em si me cativou como também a sensibilidade que jorra dele. Como alguém consegue ser tão humano a ponto de conseguir gravar a vida real? Porque é esse o meu resumo para filmes independentes: são a própria vida real.

Em “vida real” eu incluo as mais diversas emoções que passamos: temos raiva das pessoas, ficamos confusos, rimos de algo simples. Cenas de sexo. Diálogos sinceros e reais. Coisas ruins acontecendo – não necessariamente por ser um filme a mocinha tem que terminar com o mocinho. A vida é difícil, nada é exatamente como a gente quer e coisas dão errado pra todo mundo o tempo todo. Eu sinto como se nada retratasse melhor o dia-a-dia do que um filme independente.

Daydream Nation – Corre que tem na Netflix!

Na quarta-feira passada eu não tive aula na faculdade e minha família estranhou quando fui pro quarto às 21h. “Vou ver um filme” eu disse quando minha mãe estava tentando me convencer a ficar na sala porque ia começar o Masterchef (que eu também adoro, por sinal). Eu simplesmente precisava de mais uma dose de ternura que essa fatia do cinema traz pra mim. Escolhi Begin Again (vi pelo megafilmes), só pelo Mark Ruffalo e porque várias pessoas estavam falando bem na internet. Resultado: não é um filme independente mas tem o mesmo jeitinho… apaixonada pra sempre. ♥Eu me senti tão bem depois de conhecer algo que me fizesse tão feliz em tanto tempo, que assistir a esses filmes está sendo como recompensa pra mim. Se meu dia foi bosta muito ruim, ou se estou muito cansada, ou apenas quero um tempinho pra mim – sempre fico mentalizando que vou escolher mais um título na Netflix e vou ficar feliz 😀

Amei tudo, inclusive e principalmente a Keira Knightley. Confesso que tinha uma certa relutância de ver esse título porque sempre achei que ela tem cara de fresca e parece que nunca está respirando, mas MEU DEUS. Eu amei a personagem que ela interpreta, tão leve, simples… já queria ser amiga. ❤ Begin Again também é a vida real dando um tapa na minha cara.

 

Begin Again (Mesmo se nada der certo): simplicidade e genialidade dessas cenas… impressionante.

 

Mas Once (que foi traduzido como Apenas uma Vez) não é assim. Tem voz, violão e piano. Depois, uma banda. A característica de musical é tão sutil que a história se desenrola junto com a música, sem aquelas divisões drásticas do tipo: “agora é hora da dança”, “agora é hora das falas”, “agora é o grito de guerra”. O personagem principal é cantor e, mesmo quando cantando, ficamos prestando atenção na cena, porque tudo é importante e faz parte da história: como ele gesticula, as feições dele, pra onde ele olha… o “enredo” e a “parte musical” se entrelaçam perfeitamente…Anteontem (ou antes de ontem?) eu assisti Once. Sinto que minha vida mudou a partir daí. hahahaha

Sinceramente, ele é o filme que mais tocou o meu coração até hoje. Li que ele é um musical, o que estranhei de bate-pronto, porque a minha concepção de “musicais” é na vibe do High School Musical: as pessoas estão conversando sobre hambúrguer quando, de repente, já tem uma galera dançando atrás, cantando a plenos pulmões pra pôr mais catchup.

A história se passa em Dublin, que é o lugar que eu mais quero conhecer NA VIDA nesse momento. hahahah que cidade linda! Uma das minhas cenas preferidas é quando a garota (os personagens principais não tem nome) vai de madrugada suponho eu até uma lojinha para comprar pilhas pro seu CD player, e volta andando na rua como se fosse rua de interior. Ela está de pijamas, fones de ouvido e anda cantarolando… que maravilha de se ver, estou apaixonada.

Once: essa cena é o coração do filme, na minha opinião.

 

Queria terminar esse post dizendo algumas coisas:

a) Adoro o fato de que eu vejo filmes que ninguém vê, que tem trilhas sonoras que ninguém escuta, com atores que ninguém conhece;
b) Como me sinto bem assistindo filmes que retratam a vida como ela é, e não como gostaríamos que fosse;
c) Glen Hansard, se você estiver lendo isso, por favor nunca tire sua barba nem pare de cantar;
d) Quero morar em Dublin.

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